Deus criou vida em outros planetas? Se não criou, por que o universo é
tão grande?
Por
Gary Bates
Muitas pessoas, cristãs ou não, são contra a noção
de que a Terra é o único planeta habitado neste enorme universo.
stockxpert
Aqueles que crêem que a vida evoluiu na Terra normalmente vêm o seguinte
como, virtualmente, um “fato”: a vida teria evoluído em outros
incontáveis planetas. Descobrir vida em outros planetas seria, por sua vez,
a confirmação de sua fé evolucionista.
Mas há muitos cristãos que pensam: “Deus deve ter criado vida
em outro lugar, caso contrário este enorme universo seria um tremendo desperdício
de espaço.” Porém, nosso pensamento deveria estar baseado naquilo
que Deus disse que fez (na Bíblia), e não naquilo que pensamos que
Ele teria ou deveria ter feito.
Em primeiro lugar, uma vez que Deus é Aquele que fez o universo, este poderia
não Lhe parecer’tão “grande”. Os humanos não
conseguem entender a grandeza do universo porque nossa compreensão é
limitada às dimensões espaço/tempo criadas, dentro das quais
existimos, e é de quebrar a cabeça tentar compreender qualquer coisa
que vá além disso. O próprio tempo começa com a criação
do universo físico, mas como podemos compreender a eternidade? O que havia
“antes” do universo? Semelhantemente, como podemos entender o quão
“grande” é Deus? Nós não podemos usar uma fita
de medição, feita de átomos, para medi-lo.
A Bíblia e os ETs
Frequentemente se pergunta: “Só porque a Bíblia ensina que Deus
criou vida inteligente somente na Terra, porque isso significaria que Ele não
poderia tê-la criado em outro lugar?” Afinal, a Bíblia
não fala a respeito de tudo. Por exemplo, não fala de automóveis.
Porém, a objeção bíblica aos ETs não é
um argumento meramente silencioso. Mais que isso, entender a totalidade da mensagem
bíblica/evangélica nos permite concluir claramente que a razão
pela qual a Bíblia não menciona extraterrestres (ETs) é porque
eles não existem1.
- A Bíblia indica que toda a criação geme e sente dores
de parto por causa do peso do pecado (Romanos 8:18-22). O efeito da maldição
causada pela Queda de Adão foi universal
(2). Caso contrário, qual seria a razão de Deus destruir toda a sua
criação para criar novos céus e nova Terra –
2 Pedro 3:13; Apocalipse 21:1ss? Portanto, qualquer ET, vivendo em qualquer lugar,
teria sido (injustamente) afetado pela Maldição
ADâmica, mesmo sem ter cometido qualquer pecado – ele não
teria herdado a natureza pecaminosa de Adão.
- Quando Cristo (Deus) encarnou, Ele veio à Terra não apenas para redimir
a humanidade, mas também reconciliar consigo toda a criação
(Romanos 8:21; Colossenses 1:20). Portanto, a morte redentora de Cristo no
Calvário não poderia salvar hipotéticos ETs, porque eles precisariam
ser descendentes de Adão para que Cristo fosse
o seu “Redentor” (Isaías 59:20). Jesus foi chamado “o último
Adão” porque houve um primeiro
ADão real, humano (1 Coríntios 15:22,45) – não
um primeiro Vulcan, Klingon (N.T. raças criadas na’série Star
Treck) etc. Foi assim que um Substituto humano, sem pecado, sofreu a punição
que todos os homens merecem pelos seus pecados (Isaías 53:6,10; Mateus 20:28;
1 João 2:2, 4:10), sem necessidade de remissão para os próprios
pecados (que’são inexistentes, Hebreus 7:27).
- Uma vez que isso significaria que qualquer ET estaria perdido pela eternidade, pois
esta atual criação será destruída em fogo ardente (2
Pedro 3:10,12), alguns’têm pensado que o sacrifício de Cristo
pode ter se repetido por outros seres. Porém, Cristo morreu uma vez
(Romanos 6:10; 1 Pedro 3:18) na Terra. Ele não será crucificado
e ressuscitado novamente em outros planetas (Hebreus 9:26). Isso é confirmado
pelo fato de a igreja redimida (terrestre) ser conhecida como a noiva de Cristo
(Efésios 5:22-33; Apocalipse 19:7-9), em um casamento que durará eternamente3. Cristo não será um polígamo com muitas outras
noivas de vários outros planetas.
- A Bíblia não dá suporte à idéia de que Deus iria
redimir quaisquer outras espécies, nem mesmo anjos caídos (Hebreus
2:16).
Encaixando-os lá… de algum modo!
Uma tentativa de encaixar os ETs na Bíblia baseia-se no versículo
3 do capítulo 11 de Hebreus: “Pela fé entendemos que os mundos
pela palavra de Deus foram criados; de maneira que aquilo que se vê não
foi feito do que é aparente.”
A palavra “mundos” aparece na tradução King James* e algumas
outras, e alguns afirmam que ela se refere a outros planetas habitáveis.
Porém, a palavra é αιών (aiōn), da
qual derivamos a palavra “eon”. Por isso, traduções modernas
traduzem a palavra como “universo” (todo o continuum espaço-tempo)
porque ela corretamente descreve “tudo o que existe no tempo e espaço,
visível e invisível, presentes e eternos”. Mesmo se ela estiver
se referindo a outros planetas, é uma extrapolação injustificada
presumir que há vida inteligente neles.
Outro argumento é a passagem de João 10:16, na qual Jesus diz: “Tenho
outras ovelhas, que não’são deste aprisco; também me
convém agregar estas, e elas ouvirão a minha voz; e haverá
um rebanho e um Pastor.” Contudo, mesmo um astrônomo crente em ETs,
do Vaticano (uma “testemunha hostil” à “causa da inexistência
dos ETs”), um padre jesuíta chamado Guy Consalmagno, reconhece: “No
contexto, essas ‘outras ovelhas’ são presumivelmente uma referência
aos gentios, não aos extraterrestres.”4 O ensino de Jesus era causa
de divisão entre os judeus (v.19), porque eles sempre acreditaram que a salvação
de Deus era somente para eles. Jesus estava reafirmando que Ele seria o Salvador
de toda a humanidade.
Uma abordagem romântica
Uma idéia mais recente permite que os ETs surjam da necessidade de se proteger
o cristianismo no caso de uma eventual visitação alienígena
real à Terra. Michael S. Heiser é um ufólogo/orador cristão
influente, com Ph.D. em Hebraico Bíblico e Linguagens Semíticas Antigas.
Ele afirma que os argumentos acima podem não se aplicar a alienígenas
criados por Deus. Por não serem descendentes de Adão,
eles não herdam sua natureza pecaminosa, e portanto, não’são
moralmente culpados ante Deus. Assim como os coelhos na Terra, eles não precisam
de salvação – mesmo que eles morram, não vão nem
para o céu, nem para o inferno.
À primeira vista, parece um argumento irresistível; afinal, anjos
caídos’são inteligentes, mas estão além da salvação
(Hebreus 2:16). Porém, anjos’são imortais e não’são
de nossa dimensão corpórea. E os ETs em espaçonaves de Heiser
exigem um nível de inteligência não encontrado nos coelhos.
Isso acentua severamente a injustiça de sofrerem os efeitos da Maldição,
incluindo a morte e, em última análise, a extinção quando
os céus retirarem-se “como um livro que se enrola” (Apocalipse
6:14). Também parece bizarro não atribuir responsabilidade moral para
as ações de seres altamente inteligentes.
Heiser também afirma que ETs muitíssimo inteligentes não tomariam
a posição da humanidade como seres criados à imagem de Deus,
porque “imagem” significa apenas humanos tendo sido colocados como representantes
de Deus na Terra.
Todavia, a Bíblia diz que nós fomos feitos à Sua imagem e
semelhança (Gênesis 1:26). O homem foi criado totalmente inteligente
a cerca de 6000 anos atrás, tendo se envolvido com artesanato logo depois
(Gênesis 4:22). Desde aquele tempo, não fomos capazes de desenvolver
tecnologias avançadas o bastante para viajarmos para outros sistemas solares.
Se os alienígenas fossem capazes de desenvolver incríveis espaçonaves,
mais rápidas que a velocidade da luz, necessárias para se chegar aqui,
presume-se que eles tenham sido criados com inteligência vastamente superior
à nossa – o que os faria muito mais imagem e semelhança de Deus,
nesse sentido, que nós. Ou então, foram criados muito antes dos 6000
anos do padrão bíblico de seis dias; os alienígenas teriam
sido criados antes do homem e teriam tido tempo suficiente para desenvolver suas
tecnologias. Porém, Deus criou a Terra no Primeiro Dia e depois os corpos
celestes, no Quarto Dia.
Influenciado pelo que está fora da Biblia
Embora Heiser não promova a evolução teísta, ele é
simpatizante de um universo de bilhões de anos, como proposto pelo criacionista
progressista Dr. Hugh Ross5. Teoricamente, esse seria o tempo necessário
para quaisquer ETs não vistos desenvolverem as tecnologias do tipo quase-ficção-científica,
essenciais para chegarem aqui. Mas esse é um raciocínio circular.
Porém, há um grande problema para o Evangelho nestas longas eras.
Primeiro, é importante entender que longas eras derivam da crença
que camadas de rochas sedimentares na Terra representam eons de tempo6. O que,
por sua vez, deriva-se da suposição dogmática de que
não houve atos especiais de criação ou dilúvio universal,
por isso as características da Terra devem ser explicadas por processos que’são
vistos operando agora7. Essa filosofia do uniformitarismo parece cumprir
perfeitamente a profecia do apóstolo Pedro, registrada em 2 Pedro 3:3-7.
O conflito com o Evangelho acontece porque essas mesmas camadas rochosas contêm
fósseis – um registro de seres mortos, que revela evidências
de violência, doença e sofrimento. Assim, partindo de um ponto-de-vista
de milhões de anos, mesmo sem evolução, colocamos a morte e
o sofrimento muito antes da Queda de Adão.
Isto desestabiliza o Evangelho e as razões pelas quais Cristo veio ao mundo
– tais como reverter os efeitos da Maldição.
O “ranking” da criação
No Salmo 8:5 lemos que o homem foi feito um pouco menor que os anjos e coroado com
glória e honra. Heiser disse que a salvação é baseada
em um ranking, não em inteligência. Mas, se fosse assim, onde
os ETs ficariam nessa injusta ordem (que não os menciona)? Seriam eles maiores
que o homem, e menores que os anjos, por exemplo? Se estes avançados ETs
fossem capazes de visitar a terra, a humanidade estaria sujeita ao seu
domínio. (Mesmo se esses ETs fossem amigáveis, seriam potencialmente
muito mais poderosos por causa de sua inteligência e tecnologia.) Isso estaria
em contradição direta com a estrutura de autoridade estabelecida por
Deus quando ele ordenou à humanidade “dominar” sobre a terra
– o que é também conhecido como mandamento de domínio
(Gênesis 1:28).
Sendo inspirado a temer
O Salmo 19:1 nos dá a maior razão da grandeza do universo: “Os
céus declaram a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra de suas
mãos.”
Isso nos lembra que, quanto mais descobrimos acerca deste incrível universo,
mais deveríamos temer Aquele que o criou. É sobre Ele que deveríamos
estar pensando, não em alienígenas imaginários, que nunca vimos.
*N.T. O autor se refere à King James original, em inglês. Em 2007
foi publicada no Brasil a versão King James Atualizada, pela Abba Press (somente
o Novo Testamento). Ela traduz αιών como “universo”.
Poderia haver “vida simples” em algum lugar no espaço?
NASA
NASA
Duas sondas idênticas atravessam a superfície de Marte procurando por evidências de água. Pesquisadores evolucionistas estão procurando desesperadamente por sinais passados ou atuais de vida até mesmo microscópica.
A totalidade da Bíblia parece excluir vida inteligente em qualquer
lugar no universo de Deus1 (veja o texto principal). Mas e quanto a bactérias
em outros planetas, por exemplo? É possível que Deus os tenha criado,
mas extremamente improvável2. Qual seria o seu propósito? O foco
inteiro da criação é a humanidade nesta Terra; as formas de
vida na bela biosfera equilibrada da Terra’são parte do nosso sistema
pró-vida criado.
Se fossem encontradas bactérias em algum lugar do sistema solar, isso seria
visto como uma prova de que a vida pode “simplesmente evoluir”3.
Porém, nós antecipadamente previmos que, neste improvável evento,
os organismos terão DNA e demais moléculas do mesmo tipo terrestre,
consistentes com os originados aqui como contaminantes – carregados pelas
recentes sondas feitas pelo homem, ou transportados por fragmentos de rocha expelidos
da Terra por impactos de meteoritos.
Referências
- Compare Grigg, R., Did life come from outer space?
Creation 22(4):40–43, 2000; Bates, G., Alien Intrusion: UFOs and the evolution connection,
Master Books, Arkansas, USA, 2004.
- Sarfati, J., Conclusive evidence for life from Mars? Remember
last time! <creation.com/mars>, 15 May 2002.
- Matthews, M., Space life? Answering unearthly allegations,
Creation 25(3):54–55, 2003; <creation.com/space_life>.
Referências e notas
- Evidentemente, há seres celestiais. Estes foram criados
bem cedo na Semana da Criação – chamados “filhos de Deus”
e “estrelas da manhã” na poesia do livro de Jó, eles regozijaram
e cantaram por ocasião da formação dos “fundamentos”
da Terra. (Jó 38:7) Regresar al texto.
- Sarfati, J.,
The Fall: a cosmic catastrophe: Hugh Ross’s blunders on plant death in the
Bible, Journal of Creation 19(3):60–64, 2005;
<creatio.com/plant_death>. Regresar al texto.
- A igreja foi comprada com o sangue de seu Salvador ferido
no seu lado, uma clara analogia à primeira mulher, nascida da “costela”
do lado de Adão. Regresar al
texto.
- Consolmagno, G., Humans are not God’s
only intelligent works, <www.stnews.org/Commentary-891.htm>, 3 Janeiro 2006.
Na verdade ele tomou o lado afirmativo em um debate com o Dr. Jonathan Sarfati,
do CMI, cuja negativa está disponível em <www.stnews.org/Commentary-890.htm>
(eles não viram os argumentos um do outro antes da publicação
no liberal Science and Theology News). Regresar al texto.
- Ross acredita em criaturas semelhantes ao homem, destituídos
de alma, anteriores a Adão, e similares, no status espiritual, aos hipotéticos
ETs de Heiser. Para uma refutação completa das idéias de Ross,
veja Refuting
Compromise por Jonathan Sarfati Master Books, Arkansas, USA, 2004
Regresar al texto.
- Henry, J.F., An old age for the earth
is the heart of evolution, Creation Research Society Quarterly 40(3):164–172,
December 2003. Regresar al texto.
- Mortenson, T., The Great Turning Point, Master Books,
Arkansas, USA, 2004. Regresar al texto.
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