O “rosto” de Marte
Um mito baseado na crença evolucionista em “aliens” pode agora
ser posto para dormir
por Gary Bates
NASA
Enquanto fotografava lugares potenciais para a aterrissagem de futuras missões
tripuladas em Marte, em 1º de julho de 1976, a Viking 1, da NASA,
revelou algumas características incomuns da superfície marciana. Uma
estrutura com mais ou menos 1,9 km x 2,6 km parecendo, um rosto completo com enfeites
(veja a figura 1). Rapidamente, jornais do mundo todo noticiavam o “Rosto
de Marte”.
Nessa mesma região de Marte, chamada Cydonia, outras estruturas semelhantes
a pirâmides foram vistas. As imagens tornaram-se uma sensação,
e muito rapidamente os pensamentos se voltaram para qual o tipo de alien
que as teria construído, e de onde eles teriam vindo!
A NASA tentou acalmar a especulação de que avançadas civilizações
alienígenas haviam criado as estruturas. Mas, como descobri depois de muitos
anos de pesquisa dos fenômenos de OVNIs, os que acreditam no movimento nunca
deixam que os fatos fiquem no caminho de uma boa história. A tentativa da
NASA’só fez crescer as noções conspiratórias que
os crentes do movimento OVNI já “sabiam” – isto é,
que os governos encobriram a verdade sobre os OVNIs e visitações alienígenas.
A ideia de que uma civilização a muito perdida teria construído
as estruturas foi propagada principalmente por Richard C. Hoagland, um auto-proclamado
“consultor científico”, que até mesmo ajudou o renomado
jornalista da TV, Walter Cronkite, durante as transmissões da missão
Apollo.
NASA/JPL
Figura 1. A imagem que começou a história toda, tirada
pela Viking 1.
Os anos 80 viram o fenômeno OVNI explodir. O livro “The Roswell Incident”
[“O Incidente de Roswell”] criou raízes na cultura popular
com suas falsas afirmações de uma nave alienígena que teria
caído no Novo México, em 1947; o governo teria removido os destroços
e corpos dos alienígenas do local.1
Em 1987, Hoagland lançou seu livro The Monuments of Mars: A City on the Edge
of Forever [algo como “Os Monumentos de Marte: Uma Cidade Para Sempre
no Limite”], apelidando essa área de Cydonia, “A Praça
da Cidade”. Polêmicas vendem, e as afirmações de Hoagland
tornaram-se muito populares. Ele foi ainda mais longe afirmando que raças
inteligentes existiram em nossa própria lua e também nas luas de Júpiter
e Saturno. Por muitos anos, famosos crentes em OVNIS, como Eric Von Däniken,
em seu best-seller, Chariots of the Gods [“Carruagens dos
Deuses”], de1968, afirmou que foram alienígenas mais antigos e avançados
que construíram as pirâmides do Egito e outras estruturas. E, agora,
como “estruturas piramidais” foram vistas em Marte, parecia ter peso
afirmar que antigos extraterrestres deixaram seus cartões postais em nosso
sistema solar. Isso também dá um peso maior a uma teoria de nossas
origens, conhecida como “panspermia dirigida”2, a qual diz que a
vida primordial na Terra foi deliberadamente plantada por aliens, e a evolução
fez o resto.
Mas o que eram essas estruturas?
NASA/JPL/Malin Space Science Systems
Figura 2. Uma foto de 2001, da Mars Global Surveyor, mostrando
que não existe rosto nenhum.
Essas incríveis afirmações foram baseadas primeiramente em
duas grandes pressuposições:
- Que a evolução é verdadeira porque ocorreu na Terra. Portanto,
em um universo de bilhões de anos de idade, raças alienígenas
muito mais antigas que nós poderiam (e até deveriam) ter evoluído
em qualquer lugar, sendo agora literalmente abundantes neste vasto universo. Se
eles eram muito mais antigos, teoricamente haveriam de ter tido muito mais tempo
de desenvolver tecnologias muito melhores que as nossas. Esses alienígenas
viajantes-do-espaço poderiam ter criado esses artefatos há milhares
de anos atrás.
- Que as estruturas em Marte eram resultado de um projeto, um design com
propósito específico. Mas não eram, como mostraremos adiante.
As negações da NASA eram um encobrimento?
Apesar das abundantes teorias de conspiração, devemos lembrar que
agências espaciais como a NASA simplesmente adorariam mais que qualquer coisa
encontrar evidência de raças alienígenas. Em anos recentes,
eles brigaram por atenção e verbas, e sabem sobre o grande público
interessado na possibilidade de vida extraterrestre. O já longo programa
Origens, que ajudou imensamente na obtenção de verbas, foi
criado para procurar vida no espaço, e culminou no aparecimento do atual
campo da astrobiologia.3 Encontrar ETs seria um gigantesco achado para a NASA.
Porém, fotos mais detalhadas de Cydonia pela expedição Mars
Global Surveyor, de 1998, foram um banho de água fria nas afirmações
alienígenas sobre o “Rosto”. Elas mostraram que o “Rosto”
e as “Pirâmides” eram nada mais nada menos que formações
geológicas naturais que sofreram erosão (veja a figura 2). Em certo
ângulo de incidência de luz, ocorre uma ilusão, e parecer haver
um rosto ali. Mas essas fotos, tiradas de um ângulo diferente, mostraram que
havia pouquíssimas características de design para que alguém
pudesse afirmar terem sido projetadas.
ESA/DLR/FU Berlin (G. Neukum), MOC (Malin Space Science Systems).
Figura 3. The latest high resolution photos from ESA’s Mars
Express confirm it is just a naturally occurring landform.
Marte parece ter sido, e ainda deve ser, geologicamente ativo. Há montanhas
e vulcões, incluindo o enorme Olympus Mons – o maior vulcão
do Sistema Solar.4 Há também redes de canais e canyons
que sugerem que já fluiu muita água por ali algum dia.5 O “Rosto”
e as pirâmides não’são nada mais que os resíduos
dessa atividade geológica.
E agora, de outra fonte,há mais evidências que põem
fim às afirmações sobre um “Rosto”. Não
muito tempo atrás, a sonda espacial Mars Express, da Agência
Espacial Européia (ESA), enviou as fotos de maior resolução
já tiradas de Cydonia. Gerhard Neukum, o principal investigador da câmera
Mars Express, disse que recebeu centenas de e-mails pedindo por mais fotos. “Alguns
deles até disseram: ‘A NASA está mentindo, queremos a verdade’.”
Ele diz que os teóricos da conspiração ficaram quietos depois
que a imagem foi revelada (Figura 3).6
Uma nova religião
A crença de que aliens avançados e “mais evoluídos”
existem e retornarão algum dia para resolver nossas mazelas, consertar os
buracos da camada de ozônio e solucionar o aquecimento global, etc., não
é apoiada por nenhuma evidência’séria. Isso inquestionavelmente
tornou-se uma nova religião. Tragicamente, as pessoas estão procurando
por sentido, propósito e esperança de um novo futuro nos lugares mais
errados possíveis. Eles escolhem ignorar (2 Pedro 3:5) as abundantes evidências
do Deus Criador da Bíblia – o Criador cuja verdade poderia de fato
libertá-los e dar-lhes uma esperança certa e fiel (João 8:32).
NASA/JPL-Caltech/Cornell University
Female Figure on Mars Just a Rock, <www.space.com/scienceastronomy/080124-bad-mystery-mars.html>,
5 março 2008..
Um homenzinho em Marte?
Em Janeiro deste ano, a mídia mais uma vez promoveu especulações
gratuitas sobre vida inteligente em Marte. O rover Spirit da NASA mandou
uma foto do que pareceu ser uma “pessoa” sentada, apontando para algum
lugar. A NASA ridicularizou as afirmações, dizendo que aquilo estava
a poucos metros da câmera e a rocha não tinha mais que poucas polegadas
de altura. O astrônomo Phil Plait, do website Bad Astronomy disse: “Se
a imagem realmente é de um homem em Marte, então ele é incrivelmente
pequeno. Estamos fazendo tempestade num copo d’água! É só
a nossa tendência natural de ver formas familiares em objetos randômicos.”
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Referências e Notas
- Veja Bates, G.
What really happened at Roswell? Creation 29(4):19–21,
2007; <creation.com/roswell>, 6 Julho 2007. Regresar al texto.
- Do Grego pas/pan (tudo, todos) e sperma
(semente). Regresar al texto.
- Por exemplo, os dois rovers (veículos de exploração)
que aterrissaram na superfície marciana em 2004 (Spirit e Opportunity),
ainda estão enviando dados à NASA. Estas, mais o recente Phoenix,
fazem parte do programa Origins. Regresar al texto.
- O Monte Everest caberia dentro dessa cratera.
Regresar al texto.
- Veja Bates, G., Water,
water where are you? Creation 27(3):23–26, 2005;
<creation.com/mars-water>. Regresar al texto.
- Nature 443(7110):379, 28. Setembro
2006. Regresar al texto.
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