Como funcionam os métodos de datação
por Tas Walker
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Certa vez, em uma aula, usei uma proveta graduada para ilustrar aos meus alunos
como funcionam os métodos de datação científica. Meu
esquema mostrava uma torneira que pingava diretamente na proveta. Estava bem marcada,
por isso meu público podia ver que a proveta tinha exatamente 300 ml de água.
O diagrama também mostrava que a água pingava a uma taxa de 50 ml
por hora. Perguntei:
– Há quanto tempo a água está pingando na proveta?
– Seis horas – responderam imediatamente alguns deles.
– Muito bom. Como vocês descobriram?
– Dividindo a quantidade de água na proveta (300 ml) pela taxa (50
ml/h).
– Excelente! – disse eu. Vocês veem como é fácil
calcular cientificamente a idade de alguma coisa? Todos os métodos de datação
que os cientistas usam funcionam exatamente do mesmo modo. Consistem em medir algum
fator que está mudando com o passar do tempo.
Os alunos começaram a relaxar quando entenderam que a datação
científica não é tão difícil. Então eu
os surpreendi:
– O problema é que seis horas é a resposta errada.
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Eles me olharam perplexos e desconfiados.
– Eu montei esse experimento e posso lhes dizer que a água está
pingando há apenas uma hora. Vocês podem
me dizer o que aconteceu?
Depois de se recuperarem do choque, alguém perguntou:
– A torneira estava gotejando mais rápido antes?
– Pode ser – respondi.
– A proveta estava quase cheia quando você começou o experimento?
– Talvez. Mas vocês percebem o que estão fazendo? – perguntei
– A fim de calcular uma idade vocês fizeram suposições
sobre o passado. Vocês assumiram que a taxa sempre foi 50 ml/h e que a proveta
estava vazia quando o experimento começou. Baseados nessas suposições
vocês calcularam o tempo de 6 horas.
(Balançaram as cabeças afirmativamente.)
– Vocês ficaram perfeitamente satisfeitos com aquela resposta. Ninguém
a desafiou.
(E eles concordaram.)
– Então, quando eu lhes contei a resposta certa, perceberam o que fizeram?
Vocês rapidamente mudaram suas suposições sobre o passado a
fim de que concordassem com a idade que eu disse a vocês.
Cada cientista deve primeiro fazer suposições sobre o passado antes
que possa calcular uma idade. Se o resultado parece concordar com as suposições,
ele o aceita alegremente. Mas se não concordar com outra informação,
ele mudará suas suposições para que sua resposta seja coerente.
Não importa se a idade calculada é muito velha ou muito jovem. Sempre
há muitas suposições que um cientista pode fazer para obter
uma resposta consistente.
Subitamente, luzes se acenderam sobre a cabeça de meus ouvintes. Meu público
viu, em poucas palavras, como funcionam os métodos de datação1. A datação científica
não é uma forma de medir, mas uma forma de pensar.
Como os métodos funcionam na prática
Replica of skull KNM-ER 1470
Uma camada de cinzas vulcânicas na África Oriental, chamada de tufo
KBS, ficou famosa por causa dos fósseis humanos encontrados nas suas proximidades1.
Usando o método potássio-argônio (K-Ar), Fitch e Miller foram
os primeiros a medir a idade do tufo. Mas seu resultado, de 212–230 milhões
de anos, não concordou com a idade dos fósseis (elefante, porco, símios
e ferramentas), por isso rejeitaram a data. Disseram que a amostra fora contaminada
com argônio em excesso2.
Usando novas amostras de feldspato e pedra-pomes eles dataram “com segurança”
o tufo em 2,61 milhões de anos – o que resolveu maravilhosamente bem
o problema.
Mais tarde, essa data foi confirmada por outros dois métodos [paleomagnetismo
e traços de fissão (fission-track)], e foi
amplamente aceito.
Então Richard Leakey encontrou um crânio (chamado KNM-ER 1470)
abaixo do tufo KBS, um crânio que pareceu muitíssimo
moderno para ter 3 milhões de anos de idade.
Assim, Curtis e outros re-dataram o tufo KBS usando amostras selecionadas de pedras-pomes
e feldspato, e obtiveram uma idade de 1,82 milhões de anos. Essa nova data
estava de acordo com a aparência do novo crânio3.
Testes de outros cientistas que usaram paleomagnetismo e fission-tracks
confirmaram a idade menor.
Então, nos anos 80, apareceu uma nova data, em notável acordo com
o tufo KBS, e esta se tornou a mais amplamente aceita.
Tudo isso ilustra que, contrariamente ao senso comum, os métodos de datação
não’são o meio principal de se determinar as idades. Os métodos
de datação não levam a, eles seguem.
Seus resultados’são sempre “interpretados” para concordar
com outros fatores, tais como a interpretação evolucionista da geologia
e fósseis.
Referências e notas
- Para mais informações veja Lubenow, M.L.,
The pigs took it all, Creation 17(3):36–38,
1995; <creationontheweb.com/pigstook>.
- Fitch, F.J. e Miller, J.A., Radioisotopic age determiniations of Lake Rudolf artifact
site, Nature 226(5242):226–228, 1970.
- Curtis, G.H., et al., Age of KBS Tuff in Koobi Fora Formation, East Rudolf,
Kenya, Nature 258:395–398, 4 Dezembro 1975.
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Referências
- Para mais informações, veja: Sarfati, J., Diamonds: a creationist´s Best friend, Creation
28(4):26–27, 2006 e Walker, T., The
way it really is: little-known facts about radiometric dating, Creation
24(4):20–23, 2002. Regresar al texto.
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