Lea: a leoa que come espaguete
por David Catchpoole
Janeiro de 2002. Através das cameras dos jornalistas, uma leoa muito impressionante
chamada Lea chega na Reserva Natural Rhino & Lion, próximo a Johannesburgo,
África do Sul, vinda de Roma, Itália, depois de uma jornada de 30
horas.1
Por que “muito impressionante”? Porque essa felina de sete anos de idade
não combina com o estereótipo de “carnívoro feroz”
que os leões’têm, já que cresceu se alimentando não
de carne, mas de uma dieta de batatas, vegetais verdes e macarrão com queijo.
De fato, Lea ganhou o apelido de “Garota do Espaguete”, por causa do
seu prato favorito – espaguete –, que ela particularmente adora quando
temperado à napolitana.2,3 Mas agora, os cuidadores de seu novo lar na África
do Sul estão enfrentando o “verdadeiro desafio”: pela primeira
vez na vida de Lea, incentivar essa “Garota do Espaguete” a se alimentar
de carne e interagir com outros leões.
Bastidores
Photos by Rhino & Lion Nature Reserve
Antonio apresenta sua amada Lea ao novo lar - seu sonho de encontrar uma nova moradia
para ela finalmente tornou-se realidade. Mas a leoa de sete anos de idade agora
deve enfrentar o desafio de aprender a comer carne - pela primeira vez em sua vida.
A mãe de Lea viveu no Zoológico de Nápoles, que tinha a prática
de vender os filhotes nascidos ali. Assim, com seis semanas de vida, Lea foi parar
na vila italiana de Nettuno, sob os cuidados de um homem chamado Antonio Vincenzo.
Eles pareciam inseparáveis; Lea dormia na cama de Antonio à noite,
e o acompanhava onde quer que fosse durante o dia, sem qualquer tipo de coleira
ou restrição – através de ruas movimentadas, por entre
as multidões e até mesmo ao supermercado mais próximo. Não
é surpresa que “todos em Nettuno conheciam Lea”, e sua dieta
de espaguete, vegetais e molho de tomate.4
Porém, quando Lea tinha um ano de idade, as circuntâncias do trabalho
de Antonio mudaram e ele não pôde mais cuidar de seu “bichinho”
em casa. Um zoológico da periferia de Roma concordou em acomodar Lea, contanto
que Antonio fornecesse a alimentação necessária. E assim Lea
continuou a crescer com sua dieta de massas, ricota e vegetais. Mas, vendo-a confinada
a uma área de concreto de 4m x 4m, Antonio resolveu encontrar para ela um
lugar melhor para viver. (Ele a visitava todos os domingos, e a leoa chorava e reclamava
quando chegava a hora de ir embora.2)
Após anos de procura inútil,5
finalmente abriram-se as portas para que Lea fosse enviada para a África
do Sul – Antonio a acompanharia em sua jornada e ficaria com Lea no novo lar
por algumas semanas, a fim de ajudá-la a se adaptar.
Uma dieta “estranha”?
Dado o apelido característico de Lea (“Garota do Espaguete”)
e a publicidade associada com sua mudança para a África do Sul, muitas
pessoas tomaram conhecimento do que Lea comera nos primeiros sete anos de sua vida
– e ficaram impressionadas. Um jornalista escreveu: “Apesar de sua estranha
dieta, ela se desenvolveu”. Essa leoa não somente sobreviveu
(por sete anos), mas se desenvolveu com uma dieta sem carne desde a infância.
Lea não é a única na história recente (dos leões)
a ter sucesso no desenvolvimento com uma dieta sem carne. Uma renomada leoa vegetaria
nos EUA não comeu carne alguma por todo o seu período de vida.6,7
E muitos outros animais normalmente conhecidos como carnívoros (por exemplo,
cães,8 abutres)9, são sabidamente capazes de viver sob dietas
destituídas de carne.
Para entender essa situação, precisamos voltar ao passado. Mas qual
passado é correto? A evolução ou a Bíblia? Isso simplesmente
não faz sentido sob uma perspectiva evolucionista – de que este é
um mundo onde “um-come-o-outro”, e que animais com dentes afiados, garras
e bicos evoluíram por milhões de anos para serem carnívoros.
Por outro lado, a Bíblia nos conta que os felinos foram originalmente criados
vegetarianos (Gênesis 1:30) e também fala de uma época
onde “o leão comerá palha como o boi” (Isaías 11:7;
65:25, ACF). Assim, partindo da Bíblia, “carnívoros” vegetarianos
fazem muito mais sentido.10
Chegando à África do Sul
Kalahri Raptor Centre
Acima: Lea, em seu cativeiro no zoológico italiano.
Quando Lea saiu de seu container, em seu novo lar cheio de grama, uma multidão
de fotógrafos e repórteres ficou esperando a oportunidade
fotográfica: Lea devorando sua primeira refeição sul-africana
de massas, queijo e tomates picados.
Só que ela farejou e foi embora.
“Não! Não! Não!”, disse Antonio, “Precisa
ser massa e queijo italianos e molho de tomate – nunca tomates picados.”
Como dizem, você pode viajar o mundo todo, mas nada como uma boa comida caseira!
P.S. Os novos cuidadores de Lea na Reserva Natural Rhino & Lion nos disseram
que ela foi desacostumada a comer espaguete em uma semana e, agora, não tem
“absolutamente problema nenhum” em comer carne vermelha fresca, que
lhe é dada – ela não caça.
Referências e notas
- Rhino & Lion Nature Reserve, <www.rhinolion.co.za/e-pics.html>,
23 fevereiro 2004. Regresar al texto.
- WildNet Africa, Spaghetti-kid lioness
to return to African roots, <wildafrica.net/articles/messages/32.html>, 20
fevereiro 2002. Regresar al texto.
- Tempero à napolitana é um tempero sem carne
feito de tomates amassados com cebola e alho. Regresar al texto.
- Kalahari Raptor Centre Newsletter, <www.raptor.co.za/Newsletters/Issues6.htm>,
20 fevereiro 2002. Regresar al texto.
- Houve muitas ofertas da indústria
de “caça aos leões”, as quais Antonio recusou. (A “caça
aos leões” fornece “jogos”, leões, nos quais os
caçadores de troféus, que pagam uma taxa, podem atirar).
Regresar al texto.
- Westbeau, G.H., Little Tyke: the
story of a gentle vegetarian lioness, Theosophical Publishing House, Illinois,
EUA, 1986. Regresar al texto.
- Catchpoole, D.,
The lion that wouldn’t eat meat, Creation 22(2):22–23,
2000; <www.creation.com/lion>. Regresar al texto.
- Derbyshire, D., Meat-free dog food for
vegetarian pets, <www.telegraph.co.uk/news/main.jhtml?xml=/news/2002/09/16/wveg16.xml>,
3 fevereiro 2006. Regresar al texto.
- Catchpoole, D.,
The bird of prey that’s not, Creation 23(1):24–25,
2000. Regresar al texto.
- A Bíblia não dá
detalhes de como a mudança de herbívoro para carnívoro (e a
alimentação saprofítica) aconteceu depois do Dilúvio;
talvez um novo design ou a expressão de um potencial genético latente,
pré-projetado em presciência da Queda. Além disso, mesmo se
os leões hoje precisaram de carne para sobreviver, isso não
invalidaria o Gênesis. Veja Batten, D. (Ed.)
The Creation Answers Book, capítulo 6, Creation Ministries
International, Austrália, 2006. Regresar al texto.
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