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Olhando para alguns mitos sobre cientistas

por Carl Wieland
traduzido por Daniel Ruy Pereira (Considere a Possibilidade), revisão por Jadson Oliveira

Uma das ideias mais comuns entre as pessoas é que o criacionismo científico é, de alguma forma, mais tendencioso ou mais “encabrestado” do que a “ciência real”. Afinal, cientistas criacionistas têm a Bíblia como ponto de partida. Então, como podem eles serem objetivos como são os outros cientistas? Muitos de nossos escritos já abordaram a impossibilidade de lidar com o passado diretamente, sem ter algum tipo de viés.

Neste artigo não vou repetir esse tema, nem vou apontar para a natureza essencialmente religiosa da evolução.

Ao invés disso, tratarei diretamente com o poderoso mito de que os cientistas, de certa forma, são imparciais e ultra-objetivos em sua abordagem às evidências. Ao fazer isso, não estamos sendo nem anticiência nem anticientista; as conclusões se aplicam a todos os cientistas, incluindo aqueles de persuasão criacionista. Estamos apenas encarando o fato de os cientistas serem tão humanos como qualquer outra pessoa.

Uma pesquisa sociológica publicada em 1980 avaliou cientistas quanto à sua atitude em relação às mais tradicionais crenças religiosas e sua profissão.1 Eis alguns dos resultados mais interessantes:

1. Crença: Ciência é ceticismo organizado. Isso significa que “… nenhuma contribuição ao conhecimento oriunda de um cientista pode ser aceita sem cuidadoso escrutínio”, e que “o cientista deve duvidar de seus próprios achados bem como dos achados dos outros.”2 Cerca de três quartos dos cientistas discordaram disso, dizendo que, na verdade, não é anormal aceitar o que se encaixa na sua própria concepção sobre um assunto, mas duvidar do que não se encaixa. Lemos que a história da ciência demonstra “… que os cientistas frequentemente trabalham de um modo subjetivo e que a verificação experimental é de segunda importância comparada a argumentos filosóficos, pelo menos em algumas das mudanças conceituais mais importantes que ocorreram na ciência.”3

2. Crença: Neutralidade emocional. Isso significa que um cientista não deveria ter qualquer compromisso emocional com quaisquer ideias ou teorias em particular.

Isso foi fortemente rejeitado pela grande maioria dos cientistas avaliados. Referindo-se a outro estudo,4 o autor afirma que “o mito da ciência como uma iniciativa desapaixonada, levada a termo por homens objetivos e imparciais não se sustenta.” E adiciona que “a imagem do cientista objetivo, emocionalmente desinteressado, é levada à sério apenas por leigos ou por jovens estudantes de ciência.”

O ponto mais interessante nesta e em outras pesquisas similares não é apenas que a imagem popular está errada, mas também que os profissionais sabem disso e o aceitam como sendo normal. Parece que a visão clássica do esforço científico pode não ser sequer reconhecida como um ideal a ser alcançado, uma vez que os entrevistados sequer tentaram “viver de acordo com a imagem idealizada de um investigador objetivo da verdade, crítico e desinteressado que compartilha suas descobertas e informação com seus colegas.”

Tudo isso, evidentemente, é o que se pode esperar daquilo que Stephen Jay Gould chama de “atividade quintessencialmente humana” (referindo-se à ciência). E, como humanos, a imensa maioria permanece profunda e emocionalmente comprometida com uma visão das origens que os permite escaparem da responsabilidade exigida por seu Criador e Redentor, e que parece eliminar as ideias de pecado e julgamento.

Referências

  1. Nina Toren, ‘The New Code of Scientists’, 1333 Transactions on Engineering Management, Volume EM-27, No.3, Agosto 1980. Voltar ao texto.
  2. N.W. Storer, The Social System of Science, Holt, Rinehart, Winston, New York, 1966, p. 79. Voltar ao texto.
  3. S.G. Brush, ‘Should the History of Science be Rated X?’ Science, Volume 188, Março 22, 1974, p. 183; T.S. Kuhn, The Structure of Scientific Revolutions, University of Chicago Press, 1970. Voltar ao texto.
  4. American Sociological Review, Volume 39, Agosto, 1974, pp. 579–595. Voltar ao texto.