O verdadeiro “Jurassic Park”?
Autor: Shaun Doyle
Artigo traduzido de: Creation 30(3):12–15, jun–ago
2008
Tradutor: Daniel Ruy Pereira.
Sangue de dinossauros proveniente de mosquitos, de 65 milhões de anos, preservado
em âmbar, e usado para clonar dinossauros vivos? Isso fica muito melhor em
filmes de ficção científica, mas afirmações do
tipo “Jurassic Park” estão ficando cada vez mais comuns
entre os cientistas. Não estamos falando da possibilidade de ressuscitar
dinossauros a partir dos mosquitos. Porém, há abundantes afirmações
de que tecido mole, DNA e até mesmo bactérias inteiras “ressuscitaram”
de um estado dormente, após terem sobrevivido por milhões de anos:
Background images from stock.xchng, dinosaurs from stockxpert.
- Medula de dinossauros. Mary Schweitzer mostrou que ossos de
T. rex “datados” em 68 milhões de anos apresentaram tecidos
moles, incluindo a presença de células sanguíneas, veias e
tecido ósseo (colágeno).1
- DNA de folha de Magnolia. Extraído de uma folha fóssil
de Magnolia, datada em 17–20 milhões de anos.2
- Bactérias congeladas. Bactérias congeladas na Antartida,
datadas em 8 milhões de anos, reviveram em laboratório.3
- Bactérias em âmbar. Alguns afirmaram terem “ressuscitado”
bactérias dormentes encontradas em âmbar, com supostos 120 milhões
de anos.4
- Micróbios salgados (halotolerantes). Um artigo publicado
na Nature, em 2000, relatou ter revivido bactérias encontradas em
cristais de sal, encontrados a 600m abaixo da superfície, em uma mina, no
México, “datadas” em 250 milhões de anos.5
Os problemas encontrados
Photo stock.xchng
Muitos desses achados foram cercados de controvérsias, e atraíram
muito ceticismo de outros evolucionistas. Isso porque moléculas biológicas,
como o DNA e o colágeno, são muito complexas e conseqüentemente
muito frágeis.³ Exigem constante manutenção para evitar
sua quebra (ou desnaturação). Todavia, uma vez que o organismo esteja
morto, ficam à mercê do ambiente, e normalmente decaem muito rapidamente.
Se as moléculas estiverem em um ambiente isolado de outras formas de vida,
água, oxigênio e calor excessivo, elas serão capazes de resistir
mais, talvez por milhares de anos. Contudo, não podem durar para sempre,
porque estão sujeitas à segunda lei da termodinâmica,6 que eventualmente separará
as moléculas, através de movimentos puramente randômicos dos
átomos e da radiação básica. As mais recentes estimativas
estabelecem um limite superior de 125.000 anos para a resistência
do DNA e 2,7 milhões de anos para o colágeno, a 0ºC.7 (A apenas 10ºC, o limite superior é
muito menor–17.500 para o DNA, 180.000 para o colágeno.)
Isso é ainda mais’sério com relação à maquinaria
biológica em funcionamento que a moléculas isoladas, como o DNA. E
preservar moléculas biológicas por milhões de anos já
é forçar demais.8
Porém, preservar a maquinaria da vida, que contém ligações
intrínsecas muito mais interconectadas, por uma escala de tempo’tão
grande, como no caso dos micróbios halotolerantes que foram reanimados, é
obviamente bizarro. Como os evolucionistas tentam contornar este enigma?
“Condições atualísticas”?
Buscando uma resposta, os evolucionistas mantém, é claro, o modelo
de milhões-de-anos como sua “suposição inicial”.
Mary Schweitzer demonstra isso com relação ao seu T. rex
de 68 milhões de anos:
‘A presença de componentes moleculares originais não é
prevista para fósseis anteriores a um milhão de anos [refs. 1–7]
e a descoberta de colágeno neste dinossauro bem preservado dá suporte
ao uso das condições atualísticas para formular taxas e modelos
de degradação molecular, o que é melhor que confiar em extrapolações
teóricas ou experimentais derivadas de condições que não
ocorrem na natureza.‘9
Essa é a razão comum daqueles evolucionistas que promovem esses achados,
então vamos digerir um pouco esse negócio. Primeiramente, note o que
foi dito acima: baseando-se em teorias científicas e dados experimentais,
não se espera que nenhum colágeno formado originalmente no osso do
T. rex dure mais que um milhão de anos.
Mas Schweitzer então afirma que essa predição deveria ser questionada
porque nós encontramos justamente isso (colágeno formado originalmente
no osso do T. rex) em um osso de dinossauro. Ela disse ainda,
em outro lugar, acerca de seus primeiros achados de células sanguíneas
em ossos de T. rex: “Eu simplesmente tive arrepios, pois todo mundo
sabe que essas coisas não duram 65 milhões de anos”
[ênfase nossa].10
Assume-se assim que os dinossauros’têm, “obviamente” (de
acordo com os evolucionistas), pelo menos 65 milhões de anos de idade, que
é exatamete o que eles estão tentando provar! No entanto, sua hipótese
(os dinossauros’têm mais de 65 milhões de anos) é completamente
estranha aos dados experimentais.
É por isso que Schweitzer diz que nós deveríamos confiar nas
“condições atualísticas” em detrimento das “extrapolações
teóricas ou experimentais” para explicar como o colágeno pode
durar tanto. Temos que repensar todo o nosso entendimento a respeito do modo como
as biomoléculas complexas’são degradadas–porquê?
Porque os dinossauros’têm, “obviamente”, milhões
de anos de idade. A crença em “milhões de anos”
triunfa sobre a ciência experimental!
E sobre a acusação de que as projeções experimentais
e teóricas obtidas não’são baseadas nas condições
que ocorrem na natureza? O ponto chave dessas projeções é que
elas servem não como uma média do tempo de degradação,
mas como um limite superior.7 Ou seja, os experimentos e teorias
consideram as melhores condições possíveis de preservação.
Conquanto essas condições sejam extremamente improváveis na
natureza, este é um obstáculo às razões de Schweitzer
porque as condições laboratoriais’são projetadas para
serem melhores (não piores) que as condições de preservação
normalmente encontradas na natureza. Ela exige que o exato oposto seja
verdadeiro para que sua argumentação seja válida.
Muitos evolucionistas enxergam o problema. Ser o vencedor no debate simplesmente
não é opção; eles preferem confiar na ciência
experimental. Assim, uma vez que eles’são obedientes à evolução
e aos milhões de anos, a idéia de que essas bactérias, DNA,
etc. sobreviveram por milhões de anos é jogada fora. Tais coisas’são
consideradas contaminações de uma fonte moderna.
Onde o achado foi contaminado?
Entretanto, a idéia de contaminação geralmente falha em tratar
dos detalhes de cada afirmação. Um exemplo é a descoberta de
bactérias em cristais de sal “datados” em 250 milhões
de anos. A cada crítica, os pesquisadores originais rechecavam seus métodos
e modificavam-nos para levar as críticas em consideração, e
continuavam obtendo os mesmos resultados.11
Photo by Joachim Scheven, LEBEDIGE VORWELT MUSEUM
O trato intestinal desta espécie de cupim fóssil (que tem, alega-se,
20 milhões de anos) foi encontrado contendo o mesmo tipo de bactérias
existentes nos cupins modernos. Artigos publicados por pesquisadores relataram a
“ressurreição” de bactérias preservadas em âmbar,
considerado seis vezes mais antigo. |
A descoberta de Mary Schweitzer de vasos sanguíneos, células e colágeno
ósseo em ossos de T. rex fornece outro exemplo. Quando foi primeiramente
anunciada, causou enorme desconfiança entre os evolucionistas.12 Em 2005, no meio de forte ceticismo acerca dos
achados originais, novas imagens mostraram claramente que o tecido mole era tecido
orgânico “fresco”.13
Rigorosa pesquisa foi também conduzida (novamente cercada de ceticismo) que
mostrou que a proteína colágeno, também uma complexa biomolécula,
foi muito bem preservada nos ossos de T. rex.14
Contaminação sempre é uma opção, em teoria,
mas quando aplicada pelo menos a algumas dessas situações
em questão, ela não resiste a um exame minucioso. As implicações
óbvias das atuais evidência em análise é a seguinte:
esses achados’têm apenas milhares de anos de idade, no máximo.
A Bíblia tem a resposta
Portanto, a Bíblia dá muito mais sentido a esses “fósseis
Jurassic Park”. A preservação de tecidos orgânicos,
mesmo por milhares de anos, carece de condições especiais. É
surpreendente que sejam encontrados cerca de 4.500 anos depois de terem sido sepultados
(mais provavelmente
durante o Dilúvio). Mas isso faz muito mais sentido que acreditar que eles’têm
milhões de anos de idade, idéia que não resiste às evidências
reais da física e da química.
References
- Schweitzer, M.H., Suo, Z, Avci, R., Asara, J.M., Allen, M.A.,
Arce, F.T. E Horner, J.R., Analyses of soft tissue from Tyrannosaurus rex
suggest the presence of protein, Science 316 (5822):277–280,
2007. Volte para o texto.
- Wieland, C. ‘Oldest’ DNA–an exciting find!
Creation 13(2):22–23, 1991; ,creation.com/oldestdna>.
Volte para o texto.
- Catchpoole, D., ‘Sleeping Beauty’ bacteria,
Creation 28(1):23, 2005; <creation.com/sleeping>.
Veja também Catchpoole, D., More ‘Sleeping Beaty’ bacteria, <creation.com/moresleep>.
Volte para o texto.
- Greenblatt, C.L., et al., Diversity of microorganisms
isolated from amber, Microbial Ecology 38:58–68,
1999. Volte para o texto.
- Vreeland, R.H., Rozensweig, W.D. e Powers, D.W. Isolation
of a 250 million-year-old halotolerant bacterium from a primary salt crystal, Nature
407(6806):897–900, 2000. Veja também Salty saga, Creation
23(4):15, 2001; <creation.com/saltysaga>.
Volte para o texto.
- Veja Sarfati, J., Second law of thermodinamics: answers to
critics, <creation.com/thermo>. Volte para o texto.
- Nielsen-Marsch, C., Biomolecules in fossil remains: Multidisciplinary
approach to endurance, The Biochemist, pp. 12–14, Junho 2002; <www.biochemist.org/bio/02403/0012/024030012.pdf>.
Volte para o texto.
- Wieland, C., Ancient DNA and the young earth, Journal
of Creation 8(1):7–10, 1994. Volte para
o texto.
- Ref. 1, p. 280. Volte para o texto.
- Yeoman, B., Schweitzer´s dangerous discovery, Discover
27(4):37–41, 77, abril 2006. Volte para o
texto.
- Em 2001, os críticos disseram que as bactérias
encontradas nos cristais de sal eram relacionadas muito proximamente às modernas
bactérias e por isso deviam ser uma contaminação moderna e
não ter 250 milhões de anos (Graur, D. e Pukpo, T., The Permian bacterium
that isn´t, Molecular Biology and Evolution 18(6):1143–1146,
2001).
Porém, os defensores contaram que seus dados não significavam muito
(Maughan, H., et al., The paradox of the ‘ancient‘ bacterium
which contains ‘modern‘ protein-coding genes, Molecular Biology and
Evolution 19(9):1637–1639, 2002). Eles também
deram muitas evidÊncias de que o sal em que a bactéria foi aprisionada
formou-se em redor quando a camada rochosa foi formada, e não em inclusão
posterior (Satterfield,C.L., et al., New evidence for 250 Ma age of halotolerant
bacterium from a Permian salt crystal, Geology 33(4):265–268,
abril 2005. Volte para o texto.
- Wieland, C., Sensational dinosaur blood report! Creation
19(4):42–43, 1997, <creation.com/dino_blood>.
Volte para o texto.
- Wieland, C., Still soft and stretchy, <creation.com/stretchy>.,
25 março 2005. Volte para o texto.
- Doyle, S., Squishosaur scepticism squashed, <creation.co/collagen>,
20 abril 2007; veja também <creation.com/schweit>.
Volte para o texto.
|