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O Ateísmo precisa da evolução

A evolução ‘decorre’ dos fatos?

Por 
traduzido por Rodrigo Gomes Toni

Publicado em: 1 de Janeiro de 2015 (GMT+10)
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A questão das origens (de onde todas as coisas vieram) tem apenas duas respostas possíveis: Ou o universo surgiu por si mesmo ou não surgiu por si mesmo. Se ele surgiu por si mesmo, então algum tipo de evolução cósmica deve ter acontecido na realidade. Se não surgiu por si mesmo, então deve haver um Criador. Não há uma terceira opção.1

Muitas pessoas parecem convencidas que a teoria da evolução é baseada em uma análise dos fatos brutos (ou fatos crus) que claramente provam que a evolução tem sido um processo através da história. Como o arquievolucionista Richard Dawkis disse:

Você tem milhões e milhões de pedaços de evidência os quais nenhuma pessoa sensata pode contestar possivelmente.2

Entretanto, toda pessoa tem um ponto de partida fundamental de crença sobre a questão das origens, uma pressuposição que é simplesmente aceita como verdade sem prova, isto é, um axioma. Mesmo que alguém diga que o fundamento inicial de sua crença seja o resultado das análises de uma coletânea de fatos que os levem ao ponto de partida fundamental (ou base inicial de suas crenças), permanece que na raiz de seu sistema de crenças sempre haverá um ponto de partida que não pode ser embasado mais profundamente.

O Evolucionista Michael Ruse tanto quanto admitiu quando afirmou o seguinte:

A Evolução, semelhante à religião, envolve fazer certas suposições a priori ou metafísicas, as quais em algum nível não podem ser provadas empiricamente.3

Como um exemplo abstrato, se alguém diz: "Eu acredito em 'A'", e outro alguém pergunta: "Porquê?" e o detentor da resposta diz: "Por causa de 'B'", eles não podem continuar fazendo isso para sempre (regresso infinito). Alguém pode percorrer o alfabeto por inteiro para falar assim (por causa de 'C', por causa de 'D', etc.), porém mais cedo ou mais tarde alguém terá que parar e dizer: "Eu acredito porque eu acredito". Em última análise, você chegará a um lugar onde você não poderá justificar aquela crença com outra crença, caso contrário a outra crença se torna a crença "fundamental".

Uma vez que alguém adotou um ponto específico de partida, todos os outros dados, via de regra, serão processados através desse 'filtro', provendo-os (os dados) com sua cosmovisão.4

Evolução 'decorre' do ateísmo

Para os ateístas, o ponto de partida (ou pressuposto) é uma crença ativa na pressuposição "Não há Deus" (do grego a-theos), a despeito de algum revisionismo defender que é simplesmente uma ausência de crença em Deus. Se alguém parte dessa premissa, qual seria a interpretação lógica e explicação dos fatos gerais que nós observamos (o universo, a terra, a diversidade da vida, experiência humana, etc)?

5 pontos da crença ateísta

  1. (Naturalismo) Obviamente alguém teria que acreditar que tudo foi formado através de processos naturalísticos, porque a última conclusão é que não há uma mente racional, nem designer inteligente ou 'mão orientadora' como explicação para a existência.
  2. (Do simples ao complexo) Acreditar que nosso universo com tão vasta complexidade poderia ter vindo a existência já completamente formado é simplesmente inviável. Portanto teria que ter havido, e presumivelmente houve, inúmeras mudanças ocorrendo na matéria ao longo do tempo. Os processos envolvidos devem ter feito a matéria ir do simples ao mais complexo.
  3. (Tempo Imenso) Para explicar a vasta diversidade de coisas em nosso universo, todos estes processos devem ter acontecido ao longo de um período de tempo muitíssimo longo.
  4. (Humanos são acidentes autônomos) Seres humanos devem ter surgido via processos naturais não intencionais, portanto não somos de qualquer forma especiais exceto pelo fato de estarmos, de alguma maneira, no 'topo da cadeia alimentar'. Qualquer senso de moralidade ou ética é apenas parte de nosso desenvolvimento naturalístico e, portanto, não é absoluto de forma alguma.
  5. (Evolução) A derradeira conclusão é que tudo que nós experimentados é o resultado de um processo que pode ser denominado como 'criação espontânea'.5 (Note que até mesmo 'criação espontânea' em seu significado mais verdadeiro é uma ideia incoerente [porque alguma coisa não pode fazer nada antes dela existir]; os novos ateístas como Lawrence Krauss realmente propuseram tamanho 'nonsense' não científico.

Então, todos os elementos essenciais da grande teoria da evolução (evolução cosmológica, geológica, química, biológica e humana) são simplesmente uma consequência lógica, filosófica do conceito básico do ateísmo clássico aplicado ao mundo no qual vivemos. Todas essas conclusões poderiam ser derivadas de uma simples crença genérica de que Deus não existe (ateísmo), antes da influência de qualquer evidência física específica. A partir desse ponto em diante, todo fato que alguém observa poderia ser interpretado de acordo com esse ponto de vista [ateísta]. Tais coisas seriam então correlacionadas para criar a história do universo que apoia as crenças ateístas.

Esses fundamentais axiomas de partida* (*base inicial de uma crença) tem sido os mesmos ao longo da história. A ideia de evolução não é um conceito moderno. Os antigos Egípcios, Babilônios, Hindus, Gregos e Romanos tinham todos ideias de evolução biológica ao longo de milhões de anostambém tinham a evolução em suas crenças, todos sem acesso a fatos comumente considerados como prova da evolução (coluna geológica, DNA, seleção natural, datação radiométrica, fósseis hominídeos, etc).

Como exemplo mais moderno, o avô ateísta de Charles Darwin, Erasmus Darwin, concebeu e publicou uma explicação naturalística do mundo(seu livro Zoonomia, de 1794), cerca de 65 anos antes que Charles o fizesse. Este incluiu as ideias de que a terra fora formada de uma explosão cósmica, a vida começou no mar, se tornou progressivamente mais complexa e eventualmente se tornou pessoas, e que tudo isso aconteceu ao longo de milhões de anos. Novamente, note que todas essas suposições foram concluídas sem as "evidências" comuns que os evolucionistas apontam hoje.

Porque alguém partiria do conceito ateísta?

A Bíblia diz que as pessoas não regeneradas estão em rebelião contra Deus. A rejeição final de qualquer pessoa seria negar sua existência (daí a expressão "Você está morto para mim"). Finalmente, algumas pessoas rejeitam Deus ao ponto de negarem Sua existência. A negação de Deus é frequentemente resumida pela declaração do famoso (e infame) ateísta Nietzsche: "Deus está morto."

Embora algumas pessoas ao longo da história tenham se declarado ateístas, o conceito ateísta sempre foi considerado questionável por pensadores perspicazes (presumivelmente por causa do ilogismo/absurdo filosófico e científico desse sistema de crença, e suas implicações morais). Por exemplo, Sir Isaac Newton (indubitavelmente o maior cientista que já viveu) disse uma vez:

A oposição a piedade é o ateísmo na profissão e idolatria na prática. O ateísmo é tão insensato e odioso à espécie humana que ele nunca teve muitos que o ensinassem.6

Alguns tem a errônea impressão que a evolução em si mesma é científica. Mas não foi simplesmente o caso de cientistas que abraçaram imediatamente as teorias da evolução de Charles Darwin. Ao contrário, foram aqueles (quer mentes científicas ou não) que eram naturalistas e céticos da Bíblia que apoiaram Darwin inicialmente.

A oposição ao Darwinismo veio imediatamente de muitos cientistas brilhantes. Nestes estão incluídos o físico James Clerk Maxwell (fundador do eletromagnetismo),7 Louis Pasteur (pioneiro da imunização e desenvolvedor da lei fundamental da biologia - a Lei da Biogênese),8 Lord Kelvin (pioneiro da termodinâmica e do telégrafo transatlântico),9 e Louis Agassiz (fundador da moderna geologia glacial). Estes, entre outros, rejeitaram a teoria de Darwin.

O famoso matemático, astrônomo e membro da Royal Society - Sir John Herschel - a rejeitou como sendo "a lei da bagunça e do desregramento".10 Richard Owen, Superintendente do Departamento de História Natural do Museu Britânico, aborreceu tanto Darwin com suas objeções a teoria darwiniana que Darwin eventualmente admitiu que odiou Owen!11 William Whewell, renomado filósofo da ciência (autor da obra 'The History of Inductive Sciences' - A História das Ciências Indutivas), baniu Origem(o livro Origem das Espécies, de Charles Darwin) da biblioteca de Cambridge. E houve uma série de geólogos escrituraisque também rejeitaram o Darwinismo e seus subjacentes 'milhões de anos' da história da Terra.

Muitas pensavam que o Darwinismo era, na verdade, muito não científico. O Professor Johann H. Blasius, diretor do Museu Ducal de História Natural de Braunschweing (Brunswick), Alemanha, em uma entrevista, disse: "Raramente eu também li um livro científico que faz tamanhas conclusões abrangentes com tão poucos fatos que as embasa…Darwin quer mostrar que espécies vem de outras espécies."12,13

Por outro lado, foram os indivíduos auto intitulados 'pensadores livres' como Charles Lyellque quiseram "libertar a ciência de Moisés", o agnóstico Thomas Huxley; o notório falsário Ernst Haeckel,14 pessoa que já tinha estabelecido profundamente ideias antibíblicas acerca das origens, e odiava a oposição bíblica ao racismo, e que avidamente apoiou o livro de Darwin. Até mesmo os adotantes iniciais [da teoria darwiniana] que vinham de uma perspectiva teológica (como os evolucionistas teístas Asa Gray e o teólogo racista Charles Kingsley) pareciam pré-dispostos as explicações naturalísticas para a criação antes de aceitarem o Darwinismo.

Do início da cientificamente frutífera Idade Médiaaté cerca de 200 anos atrás, a principal cosmovisão do Mundo Ocidental era abertamente baseada no Cristianismo e na narrativa bíblica e nos conceitos de lei e moralidade que dela emanavam. Hoje isso é muito diferente, com o Cristianismo e a Bíblia quase completamente jogados fora da vida pública. Ensinar a partir da Bíblia e até mesmo promover moralidade bíblica é, literalmente, proibido por lei em muitos lugares e apenas uma visão das origens (a evolução) é ensinada na maioria das escolas do estado.

Então é fácil ver porque tantas pessoas acreditam na teoria da evolução hoje, porque o estado controla os sistemas de ensino e mídia por todo o mundo ocidental ensinando a evolução como "fato" e "ciência" a crianças impressionáveis em todos os lugares. Muito mais agora que o ensino evolucionário é um conceito "auto perpetuante". Por causa das ideias evolucionárias apoiarem uma cosmovisão naturalística ao invés de uma cosmovisão teísta, isso significa que muitos (até mesmo aqueles que cresceram em um lar que professava crer em Deus) concluem que o ateísmo é verdade e o adotam como ponto de partida (ou referência inicial).

Contudo, a evolução não decorre "dos fatos". As pessoas fariam bem em reexaminar o ponto de partida do ateísmo. Os alegados "fragmentos de evidência" usados para fundamentar o ateísmo via evolução simplesmente não se encaixam, como demonstra nosso novíssimo e premiado livro e documentário, O Calcanhar de Aquiles da Evolução. (Obra em inglês, título original: Evolution´s Achilles´ Heels). Partindo de uma visão bíblica, o que nós vemos no mundo de Deus se encaixa com o que nós vemos em Sua palavra com pouca necessidade para os "fatores de disparate", tão comuns na explicação evolucionária das origens.

Referências e notas

  1. Note que a evolução teísta (a ideia de que Deus usou a evolução para criar) não é uma terceira opção verdadeira enquanto ela ainda postula um Criador na raiz da existência. Retornar ao texto.
  2. "O Gênio de Charles Darwin (Episódio 3): Richard Dawkins, Channel 4 (UK), Segunda-feira 18 de Agosto de 2008. Retornar ao texto.
  3. Uma transcrição completa da conversa está disponível online em arn.org/docs/orpages/or151/mr93tran.htm e impressa em: Young, C.C. and Largent, M.A., Evolution and Creationism: A Documentary and Reference Guide, pages 253–260 (Evolução e Criacionismo: Um Guia de Documentário e Referência, páginas 253–260). Retornar ao texto.
  4. É claro que é possível mudar seu ponto de partida. Retornar ao texto.
  5. Note que há muitos nomes diferentes e mecanismos propostos para o conceito genérico de 'evolução'; Evolução Darwiniana, Evolução Neo-Darwiniana, Equilíbrio Pontuado, Teoria do Caos, etc. Existe até o evolucionismo da terra planaRetornar ao texto.
  6. Principia, Livro III; citado em: Filosofia da Natureza de Newton: Seleções de seus escritos, p. 42, ed. H.S. Thayer, Hafner Library of Classics, NY, 1953. Retornar ao texto.
  7. Lamont, A., James Clerk Maxwell (1831–1879), Creation 15(3): 45–47, 1993; creation.com/maxwell. Retornar ao texto.
  8. Louis Pasteur (1822–1895), Cientista Excepcional e oponente da evolução, Creation 14(1):16–19, 1991; creation.com/pasteur. Retornar ao texto.
  9. Woodmorappe, J., Lord Kelvin reexame sobre a jovem idade da terra, Journal of Creation 13(1):14, 1999; creation.com/kelvin. Retornar ao texto.
  10. Bowlby, J., Charles Darwin: Uma nova vida, W.W. Norton & Company, New York, p. 344, 1990. Retornar ao texto.
  11. Darwin, F., Seward, A.C. (Ed.), Mais cartas de Charles Darwin, Vol. 1, pp. 226–228, 1903 as citado em Bowlby, p. 352. Retornar ao texto.
  12. Director Blasius interview: “Evolução é apenas uma Hipótese”, 1859, citado em Braunschweiger Zeitung, 29 de Março de 2004. Retornar ao texto.
  13. Wieland, C., Explosão do passado, creation.com/blasius, 16 de Junho de 2006. Retornar ao texto.
  14. van Niekerk, E., Combatendo o revisionismo parte 1: Ernst Haeckel, a fraude está provada, J. Creation 25(3):89–95, 2011; part 2: Ernst Haecke e sua tripla xilogravura, J. Creation 27(1):78–84, 2013. Retornar ao texto.

Helpful Resources

Evolution's Achilles' Heels
by Nine Ph.D. scientists
From
US $14.00
Christianity for Skeptics
by Drs Steve Kumar, Jonathan D Sarfati
From
US $17.00
The Greatest Hoax on Earth?
by Dr Jonathan Sarfati
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