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Deus Criou ao longo de Bilhões de anos?

E por que isso é importante?

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traduzido por Rodrigo Gomes & revisado por Danielle Virgínia Félix

Publicado em 6 de Outubro de 2011 (GMT+10)
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Freqüentemente, pessoas desafiam criacionistas bíblicos com comentários do tipo “Eu acredito que Deus criou, e não acredito na evolução, mas Ele poderia ter levado bilhões de anos para tanto, então qual é a grande questão com a idade da terra?”. Alguns argumentam que uma ênfase sobre “6 dias literais, 6.000 anos atrás” até mantém as pessoas longe da fé, então “Então por que ser tão dogmático? Por que enfatizar tão veementemente algo que não é uma questão de salvação?”.

Pode parecer uma surpresa que nós concordamos — com um ponto. A escala de tempo em si e de si mesma não é a questão importante. Então por que o CMI a enfatiza? É importante porque o assunto, em última instância, converge para “A Bíblia realmente quer dizer o que ela claramente diz?”. Portanto, esse assunto vai ao coração da credibilidade da Escritura. Dessa forma, comprometer-se com as longas eras também enfraquece a mensagem inteira do Evangelho, criando assim crises de fé para muitos como também enormes problemas com evangelismo.

As implicações da escala temporal de longas eras

Primeiro, nós precisamos entender de onde o conceito de uma terra antiga vem. A idéia de milhões ou bilhões de anos simplesmente não é encontrada em lugar nenhum na Escritura; é um conceito derivado de fora da Bíblia. Em 1830, Charles Lyell, um advogado escocês, publicou seu livro Principles of Geology (Princípios da Geologia). Ele declarou que um de seus fins era “libertar a ciência [da geologia] de Moisés”.1 O Sr. Lyell criou suas idéias sobre as de outro geólogo, James Hutton, que advogava uma interpretação uniformitária da geologia do mundo. Lyell argumentava que os milhares de pés de camadas sedimentares (assentados por água ou algum outro fluído móvel) sobre toda a terra eram o resultado de longos e lentos processos graduais ao longo de milhões ou bilhões de anos (ao invés de serem o resultado do processo do Dilúvio de Noé). Ele acreditava que os processos observados no presente devem ser usados para explicar a história geológica da terra. Então, se nós atualmente vemos rios despejando sedimento a uma taxa media de, digamos, 1 mm (4 centésimos de uma polegada) por ano, então se uma camada de rocha sedimentar tal como arenito tem a espessura de 1.000 metros (equivalente a 3.300 pés) de espessura, então ela deve ter levado cerca de um milhão de anos para se formar. Essa suposição (e suas variantes) de que “o presente é a chave para o passado” é a pedra angular (fundamento) da geologia moderna. Ela envolve uma rejeição ao relato bíblico de um cataclismo aquático global. Os milhões de anos atribuídos às várias camadas na ‘coluna geológica’ foram adotados muito tempo antes do advento dos métodos de datação radiométrica — até mesmo bem antes da radioatividade ser descoberta.

Imagem por Daniel Smartt12342grandcanyonlayers

Mas aqui está o problema teológico. Aquelas camadas de rochas não têm apenas rochas ou grânulos nelas. Elas contêm fósseis. E estes fósseis são evidência indiscutível de morte — e não apenas de morte, mas também carnivorismo, doença e sofrimento. Há restos que têm marcas de dentes neles, e até mesmo animais fossilizados no ato de estarem devorando outros animais. Há evidências de doença, cânceres, e infecção; e sofrimento geral decorrente de feridas, ossos quebrados, etc. Biblicamente, nós compreendemos que estas coisas somente começaram a acontecer após a Queda. Mas por conta das detalhadas genealogias da Bíblia, Adão não poderia ter existido milhões de anos atrás de jeito nenhum, antes da morte e sofrimento começarem a acontecer na escala uniformitariana. A implicação na crença em longa era é que Deus ordenou morte antes da Queda do homem, mas a Bíblia claramente declara que foram as ações de Adão que trouxeram morte ao mundo. (Romanos 5:12)

O deus de uma terra antiga

A idéia de que a morte estava na criação antes da Queda tem implicações importantes para o caráter de Deus. O mesmo problema surge se alguém pensa que Deus usou a evolução para criar. A Evolução é um processo aleatório e perdulário que requer que milhões de organismos ‘inadequados’ morram. Incontáveis formas transicionais teriam surgido, apenas para caírem como baixas na grande marcha progressiva. Em algum ponto, este deus supostamente ‘bom’ ordenou uma loteria de morte que finalmente resultou em humanos, e então Deus olhou aqueles portadores de Sua imagem, pairando no topo de camadas sobre camadas de rochas cheias de restos de bilhões de coisas mortas, e proclamou Sua criação – juntamente com a evidência de toda a morte e sofrimento que se passou até chegar lá – ‘muito boa’ (Gênesis 1:31). Então nós podemos ver que longas eras não se encaixam na visão bíblica, quer alguém acredite na evolução ou não.

Para resumir, na visão evolucionista a idade da terra foi derivada a partir de sua interpretação das camadas de rocha, as quais têm fósseis dentro delas, o que coloca morte, sofrimento e doença antes da Queda. A Bíblia é clara quando diz que não havia morte antes de Adão. (Romanos 5:12)

O Evangelho de uma terra antiga

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Ao final do sexto dia, Deus declarou sua criação finalizada como “muito boa”. Se evolução fosse verdadeira, Adão e Eva estiveram pisando sobre um cemitério fóssil de morte e sofrimento de milhões de anos que Deus chamou de “muito bom”. A Bíblia descreve a morte como o último inimigo a ser derrotado.

Alguns alegados ‘peritos’ tentam evitar este assunto do “muito bom” dizendo que a Queda causou apenas morte e doença humana. Isto não pode ser verdade. Por um lado, Romanos 8:19-22 claramente ensina que a maldição de morte e sofrimento que seguiu a Queda de Adão afetou “toda a criação”, i.e, o universo físico inteiro.

Mas mesmo que se nós deixarmos de lado essa questão em pró do argumento, há um outro problema, porque temos restos humanos que são ‘datados’ como tendo centenas de milhares de anos de idade. Isso é bem anterior a qualquer data bíblica possível para Adão, a qual o coloca no Jardim do Éden a cerca de 6.000 anos atrás. Muitas posições comprometedoras vêem estes restos como aqueles “pré-Adamitas” – animais inumanos sem alma. Mas estes esqueletos caem dentro da cadeia normal de variação humana. E os Nandertais, por exemplo, demonstram sinais de arte, cultura e até religão. E recentemente, o seqüenciamento do DNA do Nandertal real mostra que muitos de nós carregam genes de Neandertal – i.e. nós somos o mesmo tipo criado. Chamá-los de ‘animais não humanos’ parece inteiramente inventado para salvar o sistema de crença nas longas eras.

Também, Romanos 5:12 declara que “por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram”. Não há nenhuma indicação de que a Queda causou apenas morte humana. Distorcer a interpretação de Romanos 5 para dizer que a morte foi limitada aos humanos significaria que o pecado de Adão trouxe apenas Queda parcial para a criação de Deus; ainda assim Romanos 8:19-22 nos diz que toda a criação geme debaixo do peso do pecado e está sujeita à futilidade. E Gênesis 3:17-19 nos diz que o próprio solo foi amaldiçoado de forma que ele produziria espinhos e cardos.2 Se uma Queda apenas parcial ocorreu, então por que Deus destruirá toda a criação para trazer uma outra nova ao invés de trazer uma restauração parcial? Por que não restaurar somente os humanos se o resto da criação é ainda “muito boa”?

Morte, o Último Inimigo

Uma parte central do Evangelho é de que a morte é o último inimigo a ser destruído (1 Coríntios 15:26). A morte penetrou em um mundo perfeito por causa do pecado, e isso é tão sério que a vitória de Jesus sobre a morte não pode ser inteiramente manifesta enquanto houver um único crente no túmulo. É de se esperar que nós acreditemos que algo que os autores de Bíblia descreveram como um inimigo que foi usado ou dirigido por Deus durante milhões de anos foi chamado de “muito bom”?

Uma parte fundamental do Evangelho é a esperança que nós temos nesta Ressurreição e restauração da criação a seu estado perfeito original. A Bíblia é clara sobre os Novos Céus e Nova Terra como um lugar onde não há predação, não há morte, não há sofrimento e não há pecado (Isaías 65:17-25; Apocalipse 21:1-15). Mas como isto pode ser chamado de restauração se tal estado nunca existiu?

Um padre anglicano evolucionista nos forneceu um bom resumo do que aceitar morte antes da queda significa para a teologia cristã:

“… Fósseis são restos de criaturas que viveram e morreram ao longo de um bilhão de anos antes do Homo Sapiens evoluir. A morte é tão velha quanto a própria vida a não ser por uma fração de segundo. Portanto, pode a morte ser a punição de Deus pelo Pecado? O registro fóssil demonstra que alguma forma de mal existiu através do tempo. Em larga escala é evidente em desastres naturais… Em escala individual há ampla evidência de doenças dolorosas e paralisantes e a atividade de parasitas. Nós vemos que as coisas vivas têm sofrido ao morrer, com artrites, tumor ou simplesmente sendo devoradas por outras criaturas. Desde o início dos tempos, a possibilidade de vida e morte, bem e mal, sempre existiram. Em nenhum ponto há qualquer descontinuidade, nunca houve um momento em que a morte surgisse, ou um momento quando o mal [sic] mudou a natureza do universo. Deus criou o mundo como ele é… evolução como o instrumento de mudança e diversidade. As pessoas tentam nos dizer que Adão tinha um relacionamento perfeito com Deus até que ele – Adão – pecou, e tudo que nós precisamos fazer é nos arrepender e aceitar Jesus a fim de restaurar o relacionamento original. Mas perfeição como esta nunca existiu. Nunca houve tal mundo. Tentar retornar a esse mundo, seja na realidade ou espiritualmente, é uma ilusão. Infelizmente tal coisa ainda é central para muitas pregações evangélicas”.3

Então, qualquer um pode ver agora o caminho perigoso que se segue se nós permitirmos bilhões de anos com ou sem evolução, porque isso coloca morte e sofrimento antes da Queda. Seu corolário lógico é que ele também coloca o mal antes da Queda (a qual não mais existe na visão do padre anglicano, propriamente dita, já que não havia nenhum lugar de onde cair). E no processo se descarta a esperança de retornar a um estado perfeito, já que não pode haver retorno para o que nunca existiu. O próprio Evangelho foi destruído no processo.

Então do que Jesus veio nos salvar, se não da morte, do sofrimento, do pecado e da separação de Deus? O que nós fazemos com passagens como Hebreus 9:22, a qual diz “E quase todas as coisas, segundo a lei, se purificam com sangue; e sem derramamento de sangue não há remissão”, se morte e derramamento de sangue estavam ocorrendo como processos ‘naturais’ por milhões de anos antes de Adão? Se esse é o caso, então a morte de Cristo se torna insignificante e incapaz de pagar por nossos pecados. E qual é nossa esperança se não há Ressurreição e Novos Céus e Nova Terra?

Se a morte é natural, por que nós a choramos tanto? Por que nós não podemos aceitar a morte como uma parte ‘normal’ da vida? Essa visão rouba o Evangelho de seu poder e o sacrifício de Jesus de sua significância. Seguindo o pensamento para sua conclusão natural, esta tem levado muitas pessoas a abandonarem inteiramente a fé cristã.

O Efeito sobre a Igreja

O ensino generalizado da evolução tem graves conseqüências para nossos jovens, que estão abandonando a igreja em manadas. Cristãos que estão ‘agüentando firme’ mas aceitam a escala cronológica de bilhões de anos terão muito mais dificuldades defendendo sua fé, e assim, isso afeta o crescimento da igreja. Uma das maiores pedras de tropeço na fé é a questão: “Por que um Deus bom permite toda a morte e sofrimento no mundo?” Tais crentes não podem explicar adequadamente a origem da morte e sofrimento como uma reação ao pecado humano.

Em contrapartida, crentes que têm uma visão bíblica da história do mundo têm uma plataforma lógica para apresentar Deus às pessoas que não têm qualquer formação bíblica. A propósito, esta foi precisamente a abordagem que Paulo usou quando pregava às audiências similares gentias (Atos 14:15-17; 17:23-31). Em Listra, Paulo usou a criação como fator de identificação chave quando colocou Deus a parte de meros homens como ele mesmo e Barnabé. E em Atenas, Paulo levou os estóicos e outros filósofos ao dia “de volta a Gênesis”, para estabelecer um fundamento para apresentá-los ao Deus verdadeiro na esperança de que eles se arrependeriam de suas idolatrias inúteis.

Que tal estas idéias? (Em inglês)

Poderiam os dias em Gênesis ser longos períodos de tempo?

Há lacunas entre Gênesis 1:1 e 1:2?

Uma ligeira lacuna é justificável?

Gênesis é apenas um âmbito literário?

Gênesis é Poesia?

O Sétimo Dia é Eterno?

Não é “Um dia como Mil anos” para Deus?

Gênesis 2:4 não usa um Dia ‘não-literal’?

Havia Dias Literais antes do Sol?

Poderiam os Dias de Gênesis ser ‘dias de revelação’?

Não há dois relatos contraditórios de criação?

‘Criação Progressiva’ é Bíblica?

Se a crença na Bíblia como ela está claramente escrita fortalece a habilidade de uma pessoa explicar o Evangelho, e comprometer-se com a teoria da evolução causa efeitos tão danosos, por que alguém iria se comprometer com a evolução? Praticamente todo líder e teólogo cristão que expõe suas razões para crer em longas eras, ao invés da escala cronológica bíblica, têm que admitir que Gênesis – quando lido em valor original, nas traduções hebraicas e também nas inglesas – ensina uma criação simples e direta em seis dias de duração normal. E a criação em seis dias literais é poderosamente apoiada por Êxodo 20:11, parte dos Dez Mandamentos, passagem a qual mostra que os dias de Gênesis eram entendidos como dias literais de vinte e quatro horas, sem espaço para milhões de anos ou mesmo lacunas para se inserir estes milhões de anos no texto de Gênesis. Mas tais teólogos infelizmente aceitam que de alguma forma a ciência ‘provou’ os milhões de anos, o que efetivamente não é o caso.

Cristianismo Inconsistente?

Apesar de ser possível ser um cristão e acreditar em uma terra antiga, isso indicaria que alguém não reflete sobre as conseqüências, ou a Bíblia não é a autoridade definitiva para a fé de alguém. Se Gênesis não é uma história real e literal, como pode alguém saber onde a verdade realmente começa na Escritura? A ‘ciência’ de hoje também ‘prova’ que homens não ressuscitam dos mortos. Então, se nós permitimos que a mesma ciência nos diga que Jesus não ressuscitou dos mortos (algo que seria consistente com a cosmovisão dos compromitentes da visão evolucionista), então “nossa pregação é vã, e também é vã nossa fé”, como escreveu o Apóstolo Paulo (1 Coríntios 15:14). Colocar nossa confiança em filosofias feitas por homens, lembra o homem que Jesus descreveu em Mateus 7:26 quando Ele disse: “E aquele que ouve estas minhas palavras, e não as cumpre, compará-lo-ei ao homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia”. Por outro lado, nos versos 24-25, Ele declarou: “Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras, e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha; E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e não caiu, porque estava edificada sobre a rocha”.

E porque Jesus claramente acreditava em um Gênesis literal e histórico, assim nós devemos acreditar também.

Referências

  1. Charles Lyell, carta pessoal a George Poulett Scrope, 14 de Junho de 1830; veja creation.com/Lyell. Retornar ao texto.
  2. Interessantemente, o registro fóssil contém espinhos. Uma interpretação convencional do registro fóssil (interpretação a qual nega o dilúvio global) os coloca ‘centenas de milhões’ de anos antes de qualquer ser humano. Veja W.N. Stewart e G.W. Rothwell, Paleobotany and the Evolution of Plants (Paleobotânica e a Evolução das Plantas) (Cambridge, UK: Imprensa da Universidade de Cambridge, 1993), p. 172-176 Retornar ao texto.
  3. Tom Ambrose, ‘Just a pile of old bones’ (“Apenas uma pilha de ossos velhos”), The Church of England Newspaper, A Current Affairs section, 21 de Outubro de 1994. Retornar ao texto.

Helpful Resources

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